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Edição 44 |
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Em
toda cidade existe o principal centro comercial, que oferece à população
uma grande diversidade de lojas e variedade de mercadorias. Nos bairros
mais distantes desenvolve-se normalmente um pequeno comércio para atender
às necessidades imediatas dos moradores.

Entretanto, em alguns bairros a atividade comercial inicia um processo
de desenvolvimento que vai além da satisfação de pequenos gêneros de produtos
e passa a ter a mesma capacidade de atendimento do centro principal. Prova
disso, é que no município do Rio, existem vários bairros com um comércio
em ebulição e que disputam muitas vezes o cliente entre si.
Em Nova Iguaçu, apesar do surgimento de novas centralidades ser menos
divulgado, o crescimento da atividade comercial na periferia também já
começa a ser percebido, merecendo inclusive o estudo da Prefeitura para
a criação de novos projetos urbanísticos. Ao visitar os bairros, três
centros comerciais impressionaram pelo número de lojas estabelecidas e
diversidade na oferta de produtos: Miguel Couto, Morro Agudo e Austin.
Os dois primeiros possuem um comércio com cerca de 300 estabelecimentos,
e sabem utilizar a lei municipal que autoriza a liberação do horário de
funcionamento do comércio tanto nos dias da semana quanto aos sábados,
ao manterem seus estabelecimentos abertos até às 20 horas.
Além disso, estes centros comerciais oferecem aos clientes várias facilidades
na forma de pagamento, como cartões de crédito e até mesmo crediário em
financeiras. O serviço bancário deficiente, um problema que já se tornou
comum na região, prejudica o comércio dos três bairros. Miguel Couto e
Austin contam com apenas uma agência bancária, do HSBC Bamerindus, enquanto
em Morro Agudo sequer existe um posto pagador de qualquer instituição
do ramo. Os lojistas são unânimes em afirmar que há atrativos para a vinda
de outros bancos, principalmente os públicos, como o Banco do Brasil e
a CEF.
Conscientes da contribuição à economia da cidade, ainda que sem uma definição
clara do que necessitam, os lojistas começam a se organizar para buscar
mais atenção do poder público e ser alvo de interesse de bancos e outras
empresas de grande porte.
Comendador Soares: Proximidade com o Centro Iguaçuano
O
distrito de Comendador Soares está situado bem próximo ao Centro de Nova
Iguaçu, e talvez por isso ainda não tenha sido contemplado com um projeto
de reurbanização pela Prefeitura.
Entretanto, mesmo de forma desorganizada, o bairro vem se desenvolvendo
e atraindo empresas tanto no setor comercial quanto industrial. E para
comprovar esta informação, os lojistas mais antigos destacam a escolha
da Supermercados Novo Mundo, empresa que decidiu instalar seu escritório
central no bairro. Lembram também que a Citicol acaba de inaugurar uma
filial na principal rua comercial de Comendador Soares.
Para os comerciantes, o principal fator que impulsiona o comércio do bairro
é a sua localização privilegiada. Concentradas nas próximas à estação
ferroviária, as lojas contam com um fluxo garantido de consumidores, que
movimenta a área e permite que o funcionamento das lojas se estenda até
as 21 horas. Neste horário, garantem os lojistas, muitas pessoas ainda
esperam fazer algum tipo de compra antes de chegar em casa.
Outro fator que vem contribuindo para o aumento das vendas é a fixação
de grande parte da mão de obra local em empresas instaladas no próprio
distrito, como as Indústrias de Caneta Compactor, a fábrica de Grampos
Radar e a Tasa.
Os lojistas acreditam que o centro comercial só poderá se tornar mais
atrativo aos consumidores com uma ação do poder público. Citam a reforma
da principal praça praça bairro e a criação de um largo próximo à passarela
da estação ferroviária. E a vontade de implementer melhorias na área é
tão grande que um grupo de comerciantes confessou estar disposto a formar
uma parceria com a Prefeitura para recuperar e depois adotar a Praça.
Sugestão que o SINCOVANI encaminhou ao prefeito Bornier através de ofício.
Outras medidas que ajudariam, dizem respeito a uma iluminação pública
mais eficiente e ao futuro do imóvel que antes funcionava o Supermercado
Rosal, situado próximo à estação, e que agora serve de moradia para mendigos.
Outra reivindicação importante é a instalação de uma agência bancária
para atender o comércio e a população da área.
Miguel Couto: O segundo principal centro do município
O
comércio de Miguel Couto cresceu a olhos vistos nos últimos cinco anos.
Com isso, vem sendo alvo de novos investimentos privados em diversos ramos
da atividade e de maior atenção por parte do poder público.
Seu centro comercial oferece à população desde supermercados a salões
de cabeleireiros, academias e cursos de línguas. Diversidade que garante
à maior parte dos habitantes o conforto de poder consumir no próprio bairro.
A Prefeitura também reconhece a importância do comércio do bairro para
a economia da cidade, e por isso, criou um plano de revitalização do mobiliário
urbano através da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Semuam).
Desde o ano passado estão sendo implementadas obras no local, como a que
irá organizar o comércio ambulante existente na área com a finalização
das obras do Mercado Popular.
Entretanto, o comércio ainda é carente no que diz respeito a financiamento
de compras, já que a grande maioria dos lijistas ainda não trabalha com
cheques. No caso das casas de material de construção não existe parceria
com a Caixa Econômica Federal para receber cartas de crédito.
Austin: Disputando clientes com outros centros
O
comércio de Austin pode ser considerado o menor dos três visitados, e,
segundo lojistas locais, há alguns problemas que impedem o crescimento
efetivo da atividade no bairro.
Entre eles, a questão da disponibilidade de vagas para estacionamento
de veículos de passeio, que sofre com a restrição de tempo na rua Coronel
Monteiro de Barros. Para evitar as multas, os proprietários de veículos
devem permanecer nas vagas por apenas 15 minutos e com o pisca-alerta
ligado.
Outra reclamação diz respeito à desordem na carga e descarga de produtos.
Tomadas por caminhões durante a semana, as calçadas ficam tumultuadas
atrapalhando os pedestres. Aos sábados, porém, a situação ainda é mais
crítica. A chegada e saída de caminhões é contínua e confusa durante toda
a manhã.
- Vamos diminuir o depósito da loja para oferecer estacionamento aos nossos
clientes. Para lojas como a minha, especializada em artigos de bazar e
construção, é preciso que haja oferta de vagas. Não quero a rua totalmente
ocupada por veículos, mas acredito que em alguns pontos poderia haver
o sistema de vaga certa. Com a proibição e a conduta intransigente dos
agentes de trânsito, o cliente se assusta e vai comprar em Queimados-,
declarou o comerciante Vitor Fonseca.
A ocupação desordenada dos ambulantes no principal acesso para o outro
lado da via férrea, a praça recém-reformada de Austin, é também apontada
como mais uma influência negativa para o comércio. O número de barracas
é grande, e o espaço livre para as pessoas é mínimo.
- O centro ganhou uma reforma da Prefeitura, que o tornou mais agradável,
e estamos até satisfeitos, mas, é preciso resolver estes problemas com
o trânsito e com os camelôs para que o comércio possa crescer-, concluiu
Expedito Quintela, gerente da Fornecedora Barreira.
Belford Roxo desde o último dia 09 de agosto, conta com mais uma entidade voltada para atender aos comerciantes locais, com a inauguração e posse da diretoria da recém criada Câmara de Dirigentes Lojistas do município.
Entre as autoridades que compareceram à cerimônia de posse, estiveram presentes o secretário Especial da Baixada, Ernani Boldrim, o vice-prefeito de Belford Roxo, Flavio Furtado e o vice-prefeito de Nova Iguaçu, Mario Marques. O SINCOVANI esteve representado pela sua assessora jurídica, Jane Abdon Araújo.
A entidade funcionará na Avenida Benjamim Pinto Dias, 1398, Centro, e seu primeiro presidente, Walter Boscarino, junto com o vice, Rubens Barbosa da Silva, pretendem atender seus associados já no mês novembro de forma independente, sem precisar contar com a estrutura da CDL de Nova Iguaçu.
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de Vereadores oferecerá um prêmio para os estabelecimentos que mais respeitam as relações com o público, e as micro e pequenas empresas são as favoritas nesta disputa. A revista NOSSO COMÉRCIO entrevista, nesta edição, o presidente da Comissão, o advogado e vereador Carlos Ferreira (foto), neste momento também envolvido na discussão de dois assuntos diretamente relacionados aos comerciantes: a criação de um Estatuto para Micro e Pequenas Empresas e a reforma do Código Tributário Municipal.
Confirmando o que já se esperava, o comércio ficou longe de ser o alvo principal das reclamações dos consumidores. Para eles, as grandes prestadoras de serviços são as que menos respeitam o cliente.
Os próprios lojistas fixados em nossa cidade confirmam o que os dados da Comissão de Defesa do Consumidor apontam: Telemar, Cedae e Bancos não se preocupam com a qualidade de seus serviços em nosso município.
Nesta entrevista, Carlos Ferreira mostra como comerciantes, consumidores e a sociedade podem ganhar quando agem em conjunto em benefício do município.
Nosso Comércio: O senhor uniu comerciantes e trabalhadores em torno de propostas como a de ampliação do horário bancário. Como é possível unir segmentos distintos da sociedade em torno de um único objetivo?
Carlos Ferreira: Costumo dizer que os comerciantes, como os micro e pequenos empresários, são trabalhadores também, e, principalmente, garantem a geração de cerca de 70% dos empregos para a população. O trabalhador precisa destes empregos. Sabemos que estes comerciantes, e não os grandes empreendedores, é que sustentam a economia de um município, portanto, está mais do que na hora de receberem o tratamento digno da importância que têm.
Nosso Comércio: O senhor também é presidente da Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. O que representa para o empresário a atuação desta Comissão? O comerciante deve temê-la?
Carlos Ferreira: Não. Principalmente se ele está atuando de forma correta com seus consumidores. Veja bem, os campeões de reclamações não são os micro e pequenos empresários. Nem mesmo os de médio porte. São, na verdade, empresas como Telemar, Cedae e os bancos. A Comissão surgiu para atender clientes lesados, já que não existe o Procom na cidade, e o Juizado de Pequenas Causas estava sobrecarregado. Com a existência da Comissão, as empresas foram incentivadas a melhorar a qualidade de seu atendimento, na medida em que ele erra e tem a chance de reparar seu erro. E a grande maioria dos notificados normalmente não volta a se envolver com problemas deste tipo. Além disso, através da Comissão foi possível constatar que a grande maioria dos lojistas não foi notificada, o que é muito bom.
Os membros da Comissão estão criando um prêmio que será oferecido a estes comerciantes no fim do ano. Será uma forma de incentivá-los a investir sempre na qualidade no atendimento ao cliente.
Nosso Comércio: E existe em estudo atualmente alguma proposta em benefício destes lojistas?
Carlos Ferreira: Sim. Com as obras de reurbanização do centro comercial - e atendendo ao estudo desenvolvido pelo Plano Estratégico para atrair novos investimentos - um grupo formado por advogados, representantes da Prefeitura e o Sebrae vem se reunindo para discutir não só um Estatuto para Micro e Pequenas Empresas, como a reforma de todo o Código Tributário Municipal.
Nosso Comércio: E quais serão os benefícios que estas mudanças trarão para o município?
Carlos Ferreira:Todos lucrarão com a aplicação de um conjunto de propostas importante como este. O empresário ganha porque poderá investir em seu negócio, tornando-o mais atraente, vendendo mais e gerando mais emprego. Gerando mais emprego, aumentará o poder de compra da população e circulação de mais dinheiro. A Prefeitura deixará de arrecadar por um lado, mas, com os incentivos fiscais, existirá uma inibição da sonegação de impostos. No final, o município arrecadará mais para investir em educação e saúde. E, afinal de contas, Nova Iguaçu tem uma economia fortemente baseada na atividade comercial, formada por micro e pequenos empresários que merecem ter o mesmo tratamento que é dado aos grandes empreendimentos quando estes desejam abrir suas filiais aqui. O novo Código irá reparar este tratamento diferenciado que até agora só beneficiou os grandes.