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Edição Atual

Número 49 - Abril de 2003


66 Anos de História

A idéia de criar uma associação sindical surgiu de um grupo de comerciantes que atuava no principal centro comercial do então município de Nova Iguaçu, que em 1936 ainda era composto pelos municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti e do distrito de Arcádia, hoje pertencente a Miguel Pereira. Surge em pleno início do regime político do Estado Novo instituído pelo então presidente Getulio Vargas.

A primeira diretoria do SINCOVANI. A partir da esquerda, Albano Regasso,
Antônio Pinheiro Guimarães Victory, William Nitre e João Ferreira

 

Texto de Margareth Tavares

Há quase sete décadas a iniciativa de vinte e cinco comerciantes foi o ponto de partida para a construção de uma entidade que esteve sempre presente em momentos importantes da construção da cidade, apesar de ter sido fundado em um período conturbado.

Inicialmente recebeu o nome de Syndicato dos Comerciantes de Iguassú, tendo sido inaugurado no dia 04 de abril de 1937, sob a coordenação do comerciante Antonio Pinheiro Guimarães Victory. Sua primeira sede se localizada na Avenida Marechal Floriano, 2071, que foi a primeira via pública da cidade, e onde era registrado maior movimento e com o maior número de lojas comerciais. Como tudo na época era direcionado ao cultivo de laranjas, o comércio era pequeno e composto essencialmente de estabelecimentos voltados para atender os produtores da fruta. Em 29 de julho de 1944, a pedido da diretoria, o Ministério do Estado dos Negócios do Trabalho, Indústria e Comércio autorizou a troca do nome da entidade para para Sindicato do Comércio Varejista de Nova Iguassú.

Em 1954 assume a presidência do SINCOVANI João Alves da Costa, que inicia sua gestão com transferência da sede para Rua Nilo Peçanha, 23, e ainda em seu mandato promove em 1956 a aquisição da primeira sede própria da entidade localizada na Rua 13 de Maio, 85. Em 1958, o farmacêutico Júlio Góes, representante da categoria no distrito de Mesquita, assume a presidência da entidade, ficando no cargo até 1960.

Em 1960, José da Costa Monteiro é eleito para suceder Júlio Gões. Foi em sua gestão que em 1964, em função do Golpe Militar, o movimento sindical sofre um processo de enfraquecimento. Porém, mesmo passando novamente por um momento conturbado, o País continua crescendo. E em Nova Iguaçu o comércio passa por um crescimento significativo devido ao aumento populacional da cidade.

O crescimento do comércio faz com que o sindicato cresça também em sua atuação junto ao setor. Ainda sob a gestão de José da Costa Monteiro, em 20 de agosto de 1964 o SINCOVANI ganha uma sede maior, no edifício das Profissões Liberais, local em que até hoje a entidade funciona.

Em 1968, João Vieira Fernandes assume pela primeira vez a presidência da entidade, permanecendo no cargo até 1977. Sua gestão foi marcada por sua forte liderança e pelo fato de ter sido um dos sindicalistas mais atuantes de sua época. Deixa o cargo em 1977, após a eleição de Jorge Ferreira, mas continua fazendo parte do quadro de diretores da entidade, da Federação do Comércio do Estado do Rio (como vice-presidente) no Conselho de Contribuintes do Estado (no cargo de conselheiro). Graças ao seu empenho, a cidade ganhou unidades do Sesc e do Senac. Sua importância para a categoria sempre foi reconhecida pelos comerciantes. Tanto que após deixar a presidência do SINCOVANI é eleito para presidir a Acini.

Em 1983, João Vieira Fernandes volta à presidência do SINCOVANI, substituindo Jorge Ferreira, sendo reeleito em 1986. Licencia-se poucos meses depois em função de problemas de saúde, vindo a falecer logo depois. Assume então a presidência, seu sobrinho e vice-presidente, Assis Vieira Fernandes, que já atuava interinamente no cargo.

Assis Vieira Fernandes promoveu grandes reformas na sede da entidade, tornando-a funcional. Além disso, iniciou um processo de mudança de conceitos antigos sobre a atividade comercial e lutou incansavelmente para o fim da Semana Inglesa.

Sucedendo Assis Vieira, Osvaldo Proença é eleito presidente em 1989. Antes do término de seu mandato licenciou-se para disputar uma vaga no Legislativo municipal. Assume então, seu vice-presidente Vicente Guimarães Sobrinho.

A ATA que registrou a criação do “Syndicato dos Comerciantes de Iguassú”

 

Uma Nova Era. Com o novo presidente, se inicia uma fase de grandes mudanças no SINCOVANI. Nos primeiros anos de gestão, inicia com sua diretoria o trabalho de manutenção de sua base nos municípios de Belford Roxo Japeri e Queimados, que haviam se emancipado de Nova Iguaçu.

Nessas cidades foram instaladas subsedes com o objetivo de fornecer ao comércio local os serviços da entidade. Internamente, foi promovida a modernização administrativa com a informatização dos departamentos do SINCOVANI e a capacitação de seus funcionários.

Paralelamente, o SINCOVANI iniciou um trabalho voltado para o aspecto social nos municípios e de parcerias com o poder público e a iniciativa privada. Neste sentido, o SINCOVANI contou com o apoio do Sistema Fecomércio através do Sesc e do Senac.

Junto ao poder público municipal, o SINCOVANI apoiou o projeto de renovação do centro comercial de Nova Iguaçu participando da Comissão de Obras e realizando com o IFEC uma pesquisa de mapeamento do local antes do início da intervenção. Na Câmara de Vereadores, trabalhou para a aprovação de uma legislação específica para o horário de funcionamento do comércio nos municípios e do horário bancário e ainda participa da comissão do Prêmio de Qualidade no Atendimento ao Consumidor. No iníciodo novo século, mais uma vez Nova Iguaçu perde um distrito. Agora é Mesquita que é emancipada de Nova Iguaçu. Além de conseguir esta base, obtém da Federação o direito de atuar também em Itaguaí, Paracambi e Seropédica. Com isso, torna-se um dos maiores sindicatos varejistas do Estado do Rio.

Esta é a história de sucesso de uma entidade que ao completar 66 anos mantém o seu próposito de defender os lojistas, sem esquecer de seu papel na sociedade ao diversificar sua atuação apoiando vários segmentos da sociedade.


Os 170 Anos de Nova Iguaçu

Cidade valoriza sua história e busca alternativas para o desenvolvimento sustentável

O local onde hoje se encontra o Centro de Nova Iguaçu em fotografia de 1940

 

Texto de Margareth Tavares

Nova Iguaçu foi fundada em 15 de janeiro de 1833 a partir da Vila de Iguassu, uma localidade que desde o século XVIII era utilizada como pouso de tropeiros que faziam o Caminho de Terra Firme.

A elevação de sua categoria - vila para município - ocorreu para abrigar a sede da administração das freguesias de Nossa Senhora de Piedade do Inhomirim, Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora da Piedade de Iguassú, Santo Antônio de Jacutinga, São João de Meriti e Nossa Senhora da Conceição do Marapicu. Na região, foi aberta a Estrada Real do Comércio, que em conexão com os portos de Iguassú, escoava a produção de cana-de-açúcar e do café plantado nas serras.

Com a inauguração da Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 1858 (que na fase republicana passou a se chamar ferrovia Central do Brasil), inicia-se o crescimento do Arraial de Maxambomba. Com isso, é feita a transferência da sede do município para o novo centro econômico que surgia. Em 1916, Maxambomba passa então a se chamar Nova Iguassú.

Até a década de 40, o município era composto pelos atuais municípios de Arcádia (distrito de Miguel Pereira), Duque de Caxias (Meriti), Nilopolis e São João de Meriti, o que lhe garantia o posto de um dos maiores do estado.

De 1930 a 1939, o plantio de laranjas foi a principal produção da cidade, atividade que enfrentou um grave declínio em função da II Guerra Mundial, já que grande parte da produção se destinava ao mercado internacional. Com o término do conflito, os produtores tentaram retomar a atividade, porém as pragas impediram o sucesso da tentativa. No início dos anos 50, o ciclo da laranja perde sua força econômica.

O Bar Brasil, palco de encontros e negócios envolvendo citricultores nas décadas de 30 e 40

Com a inauguração da Rodovia Presidente Dutra (em 1952) e a recuperação da malha ferroviária, a cidade passa por um aumento populacional e assume outras funções, entre elas, a de cidade dormitório e de corredor de acesso à capital. Mesmo diante de tais características, as atividades comercial e industrial continuam em pleno desenvolvimento, como, por exemplo, na extensão da área comercial nos distritos e a criação do Pólo Industrial de Queimados.

No entanto, um novo processo de emancipação surgiu na década de 80 em alguns distritos. Nova Iguaçu perde Belford Roxo, Japeri, Mesquita e Queimados. Apesar disso, a cidade, graças ao empenho de vários segmentos da sociedade continua se desenvolvendo.

Atualmente, os iguaçuanos vivenciam o surgimento de novos negócios às margens da Via Light, além da renovação do antigo centro comercial. A cidade acaba de concluir um elaborado Plano Estratégico, que discutiu junto à sociedade as alternativas de desenvolvimento que levam em consideração as características próprias de Nova Iguaçu e seus resultados já começam a ser percebidos.

OS EX-PRESIDENTES


O Presidente Vicente Guimarães Sobrinho

O PRESIDENTE Vicente Guimarães Sobrinho na cerimônia de entrega do I Prêmio de Qualidade

Texto de Margareth Tavares

Vicente Guimarães Sobrinho é mineiro de Campo Belo, e desde cedo começou a trabalhar na atividade comercial. Primeiro como funcionário, na extinta Casas Pernambucanas. Em 1963, Vicente foi transferido pela diretoria da empresa para gerenciar a loja de Nova Iguaçu. Seu espirito de liderança fez com que em 1964 fosse eleito presidente do Sindicato dos Comerciários.

Em 1968 Vicente abre sua primeira loja, a Kilze Meias. Em seguida, torna-se associado das entidades representativas do setor. Sua experiência à frente de uma entidade sindical faz com que em 1969 passe a fazer parte da diretoria do SINCOVANI e da Acini. Além disso, na década de 80 é eleito presidente da CDL- NI, e, com sua diretoria, implementa o projeto de criação da atual sede da entidade.

Empreendedor, forma-se no curso de Direito e abre filiais de seu estabelecimento nos principais centros comerciais da cidade do Rio de Janeiro (Meier, Tijuca e Madureira). Atualmente, além de presidente do SINCOVANI, é também 2º vice-presidente do Sistema Fecomércio, que engloba o Sesc, o Senac e o Ifec, e é membro do Conselho de Ética da própria Federação.

Sob sua gestão, o SINCOVANI passou por grandes mudanças internas, como a informatização de seus departamentos, e externamente vem atuando como entidade prestadora de serviços tanto às iniciativas voltadas para o comércio como também a outros setores da sociedade civil.