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Os
Novos Centros
Em
toda cidade existe o
principal centro
comercial, que oferece à
população uma grande
diversidade de lojas e
variedade de
mercadorias. Nos bairros
mais distantes
desenvolve-se
normalmente um pequeno
comércio para atender às
necessidades imediatas
dos moradores.
Entretanto, em alguns
bairros a atividade
comercial inicia um
processo de
desenvolvimento que vai
além da satisfação de
pequenos gêneros de
produtos e passa a ter a
mesma capacidade de
atendimento do centro
principal. Prova disso,
é que no município do
Rio, existem vários
bairros com um comércio
em ebulição e que
disputam muitas vezes o
cliente entre si.
Em
Nova Iguaçu, apesar do
surgimento de novas
centralidades ser menos
divulgado, o crescimento
da atividade comercial
na periferia também já
começa a ser percebido,
merecendo inclusive o
estudo da Prefeitura
para a criação de novos
projetos urbanísticos.
Ao visitar os bairros,
três centros comerciais
impressionaram pelo
número de lojas
estabelecidas e
diversidade na oferta de
produtos: Miguel Couto,
Morro Agudo e Austin.
Os dois primeiros
possuem um comércio com
cerca de 300
estabelecimentos, e
sabem utilizar a lei
municipal que autoriza a
liberação do horário de
funcionamento do
comércio tanto nos dias
da semana quanto aos
sábados, ao manterem
seus estabelecimentos
abertos até às 20 horas.
Além disso, estes
centros comerciais
oferecem aos clientes
várias facilidades na
forma de pagamento, como
cartões de crédito e até
mesmo crediário em
financeiras. O serviço
bancário deficiente, um
problema que já se
tornou comum na região,
prejudica o comércio dos
três bairros. Miguel
Couto e Austin contam
com apenas uma agência
bancária, do HSBC
Bamerindus, enquanto em
Morro Agudo sequer
existe um posto pagador
de qualquer instituição
do ramo. Os lojistas são
unânimes em afirmar que
há atrativos para a
vinda de outros bancos,
principalmente os
públicos, como o Banco
do Brasil e a CEF.
Conscientes da
contribuição à economia
da cidade, ainda que sem
uma definição clara do
que necessitam, os
lojistas começam a se
organizar para buscar
mais atenção do poder
público e ser alvo de
interesse de bancos e
outras empresas de
grande porte.
Comendador Soares:
Proximidade com o Centro
Iguaçuano
O distrito de Comendador
Soares está situado bem
próximo ao Centro de
Nova Iguaçu, e talvez
por isso ainda não tenha
sido contemplado com um
projeto de reurbanização
pela Prefeitura.
Entretanto, mesmo de
forma desorganizada, o
bairro vem se
desenvolvendo e atraindo
empresas tanto no setor
comercial quanto
industrial. E para
comprovar esta
informação, os lojistas
mais antigos destacam a
escolha da Supermercados
Novo Mundo, empresa que
decidiu instalar seu
escritório central no
bairro. Lembram também
que a Citicol acaba de
inaugurar uma filial na
principal rua comercial
de Comendador Soares.
Para os comerciantes, o
principal fator que
impulsiona o comércio do
bairro é a sua
localização
privilegiada.
Concentradas nas
próximas à estação
ferroviária, as lojas
contam com um fluxo
garantido de
consumidores, que
movimenta a área e
permite que o
funcionamento das lojas
se estenda até as 21
horas. Neste horário,
garantem os lojistas,
muitas pessoas ainda
esperam fazer algum tipo
de compra antes de
chegar em casa.
Outro fator que vem
contribuindo para o
aumento das vendas é a
fixação de grande parte
da mão de obra local em
empresas instaladas no
próprio distrito, como
as Indústrias de Caneta
Compactor, a fábrica de
Grampos Radar e a Tasa.
Os lojistas acreditam
que o centro comercial
só poderá se tornar mais
atrativo aos
consumidores com uma
ação do poder público.
Citam a reforma da
principal praça praça
bairro e a criação de um
largo próximo à
passarela da estação
ferroviária. E a vontade
de implementer melhorias
na área é tão grande que
um grupo de comerciantes
confessou estar disposto
a formar uma parceria
com a Prefeitura para
recuperar e depois
adotar a Praça. Sugestão
que o SINCOVANI
encaminhou ao prefeito
Bornier através de
ofício.
Outras medidas que
ajudariam, dizem
respeito a uma
iluminação pública mais
eficiente e ao futuro do
imóvel que antes
funcionava o
Supermercado Rosal,
situado próximo à
estação, e que agora
serve de moradia para
mendigos. Outra
reivindicação importante
é a instalação de uma
agência bancária para
atender o comércio e a
população da área.
Miguel Couto: O
segundo principal centro
do município
O comércio de Miguel
Couto cresceu a olhos
vistos nos últimos cinco
anos. Com isso, vem
sendo alvo de novos
investimentos privados
em diversos ramos da
atividade e de maior
atenção por parte do
poder público.
Seu centro comercial
oferece à população
desde supermercados a
salões de cabeleireiros,
academias e cursos de
línguas. Diversidade que
garante à maior parte
dos habitantes o
conforto de poder
consumir no próprio
bairro.
A Prefeitura também
reconhece a importância
do comércio do bairro
para a economia da
cidade, e por isso,
criou um plano de
revitalização do
mobiliário urbano
através da Secretaria
Municipal de Urbanismo e
Meio Ambiente (Semuam).
Desde o ano passado
estão sendo
implementadas obras no
local, como a que irá
organizar o comércio
ambulante existente na
área com a finalização
das obras do Mercado
Popular.
Entretanto, o comércio
ainda é carente no que
diz respeito a
financiamento de
compras, já que a grande
maioria dos lijistas
ainda não trabalha com
cheques. No caso das
casas de material de
construção não existe
parceria com a Caixa
Econômica Federal para
receber cartas de
crédito.
Austin: Disputando
clientes com outros
centros
O comércio de Austin
pode ser considerado o
menor dos três
visitados, e, segundo
lojistas locais, há
alguns problemas que
impedem o crescimento
efetivo da atividade no
bairro.
Entre eles, a questão da
disponibilidade de vagas
para estacionamento de
veículos de passeio, que
sofre com a restrição de
tempo na rua Coronel
Monteiro de Barros. Para
evitar as multas, os
proprietários de
veículos devem
permanecer nas vagas por
apenas 15 minutos e com
o pisca-alerta ligado.
Outra reclamação diz
respeito à desordem na
carga e descarga de
produtos. Tomadas por
caminhões durante a
semana, as calçadas
ficam tumultuadas
atrapalhando os
pedestres. Aos sábados,
porém, a situação ainda
é mais crítica. A
chegada e saída de
caminhões é contínua e
confusa durante toda a
manhã.
- Vamos diminuir o
depósito da loja para
oferecer estacionamento
aos nossos clientes.
Para lojas como a minha,
especializada em artigos
de bazar e construção, é
preciso que haja oferta
de vagas. Não quero a
rua totalmente ocupada
por veículos, mas
acredito que em alguns
pontos poderia haver o
sistema de vaga certa.
Com a proibição e a
conduta intransigente
dos agentes de trânsito,
o cliente se assusta e
vai comprar em
Queimados-, declarou o
comerciante Vitor
Fonseca.
A ocupação desordenada
dos ambulantes no
principal acesso para o
outro lado da via
férrea, a praça
recém-reformada de
Austin, é também
apontada como mais uma
influência negativa para
o comércio. O número de
barracas é grande, e o
espaço livre para as
pessoas é mínimo.
- O centro ganhou uma
reforma da Prefeitura,
que o tornou mais
agradável, e estamos até
satisfeitos, mas, é
preciso resolver estes
problemas com o trânsito
e com os camelôs para
que o comércio possa
crescer-, concluiu
Expedito Quintela,
gerente da Fornecedora
Barreira.
CDL em Belford Roxo
Belford Roxo desde o
último dia 09 de
agosto, conta com
mais uma entidade
voltada para atender
aos comerciantes
locais, com a
inauguração e posse
da diretoria da
recém criada Câmara
de Dirigentes
Lojistas do
município.
Entre
as autoridades que
compareceram à cerimônia
de posse, estiveram
presentes o secretário
Especial da Baixada,
Ernani Boldrim, o
vice-prefeito de Belford
Roxo, Flavio Furtado e o
vice-prefeito de Nova
Iguaçu, Mario Marques. O
SINCOVANI esteve
representado pela sua
assessora jurídica, Jane
Abdon Araújo.
A entidade funcionará na
Avenida Benjamim Pinto
Dias, 1398, Centro, e
seu primeiro presidente,
Walter Boscarino, junto
com o vice, Rubens
Barbosa da Silva,
pretendem atender seus
associados já no mês
novembro de forma
independente, sem
precisar contar com a
estrutura da CDL de Nova
Iguaçu.
Atendimento será
premiado
A
Comissão de Defesa do
Consumidor da Câmara de
Vereadores oferecerá um
prêmio para os
estabelecimentos que
mais respeitam as
relações com o público,
e as micro e pequenas
empresas são as
favoritas nesta disputa.
A revista NOSSO COMÉRCIO
entrevista, nesta
edição, o presidente da
Comissão, o advogado e
vereador Carlos Ferreira
(foto), neste momento
também envolvido na
discussão de dois
assuntos diretamente
relacionados aos
comerciantes: a criação
de um Estatuto para
Micro e Pequenas
Empresas e a reforma do
Código Tributário
Municipal.
Confirmando o que já se
esperava, o comércio
ficou longe de ser o
alvo principal das
reclamações dos
consumidores. Para eles,
as grandes prestadoras
de serviços são as que
menos respeitam o
cliente.
Os próprios lojistas
fixados em nossa cidade
confirmam o que os dados
da Comissão de Defesa do
Consumidor apontam:
Telemar, Cedae e Bancos
não se preocupam com a
qualidade de seus
serviços em nosso
município.
Nesta entrevista, Carlos
Ferreira mostra como
comerciantes,
consumidores e a
sociedade podem ganhar
quando agem em conjunto
em benefício do
município.
Nosso Comércio: O
senhor uniu comerciantes
e trabalhadores em torno
de propostas como a de
ampliação do horário
bancário. Como é
possível unir segmentos
distintos da sociedade
em torno de um único
objetivo?
Carlos Ferreira:
Costumo dizer que os
comerciantes, como os
micro e pequenos
empresários, são
trabalhadores também, e,
principalmente, garantem
a geração de cerca de
70% dos empregos para a
população. O trabalhador
precisa destes empregos.
Sabemos que estes
comerciantes, e não os
grandes empreendedores,
é que sustentam a
economia de um
município, portanto,
está mais do que na hora
de receberem o
tratamento digno da
importância que têm.
Nosso Comércio: O
senhor também é
presidente da Comissão
Permanente de Defesa do
Consumidor. O que
representa para o
empresário a atuação
desta Comissão? O
comerciante deve
temê-la?
Carlos Ferreira:
Não. Principalmente se
ele está atuando de
forma correta com seus
consumidores. Veja bem,
os campeões de
reclamações não são os
micro e pequenos
empresários. Nem mesmo
os de médio porte. São,
na verdade, empresas
como Telemar, Cedae e os
bancos. A Comissão
surgiu para atender
clientes lesados, já que
não existe o Procom na
cidade, e o Juizado de
Pequenas Causas estava
sobrecarregado. Com a
existência da Comissão,
as empresas foram
incentivadas a melhorar
a qualidade de seu
atendimento, na medida
em que ele erra e tem a
chance de reparar seu
erro. E a grande maioria
dos notificados
normalmente não volta a
se envolver com
problemas deste tipo.
Além disso, através da
Comissão foi possível
constatar que a grande
maioria dos lojistas não
foi notificada, o que é
muito bom.
Os membros da Comissão
estão criando um prêmio
que será oferecido a
estes comerciantes no
fim do ano. Será uma
forma de incentivá-los a
investir sempre na
qualidade no atendimento
ao cliente.
Nosso Comércio: E
existe em estudo
atualmente alguma
proposta em benefício
destes lojistas?
Carlos Ferreira:
Sim. Com as obras de
reurbanização do centro
comercial - e atendendo
ao estudo desenvolvido
pelo Plano Estratégico
para atrair novos
investimentos - um grupo
formado por advogados,
representantes da
Prefeitura e o Sebrae
vem se reunindo para
discutir não só um
Estatuto para Micro e
Pequenas Empresas, como
a reforma de todo o
Código Tributário
Municipal.
Nosso Comércio: E
quais serão os
benefícios que estas
mudanças trarão para o
município?
Carlos Ferreira:Todos
lucrarão com a aplicação
de um conjunto de
propostas importante
como este. O empresário
ganha porque poderá
investir em seu negócio,
tornando-o mais
atraente, vendendo mais
e gerando mais emprego.
Gerando mais emprego,
aumentará o poder de
compra da população e
circulação de mais
dinheiro. A Prefeitura
deixará de arrecadar por
um lado, mas, com os
incentivos fiscais,
existirá uma inibição da
sonegação de impostos.
No final, o município
arrecadará mais para
investir em educação e
saúde. E, afinal de
contas, Nova Iguaçu tem
uma economia fortemente
baseada na atividade
comercial, formada por
micro e pequenos
empresários que merecem
ter o mesmo tratamento
que é dado aos grandes
empreendimentos quando
estes desejam abrir suas
filiais aqui. O novo
Código irá reparar este
tratamento diferenciado
que até agora só
beneficiou os grandes.. |